Afinal, do que os líderes precisam?

19 de julho de 2018 - Artigos / Pensamentos

Nisso todos irão concordar, assim como qualquer outro profissional, líderes precisam apresentar resultados.

No entanto, diferente dos profissionais em geral, quem está na posição de líder precisa obter resultados engajando pessoas e não mais única e exclusivamente por meio do seu domínio profissional e técnico. Fatores que, inclusive, devem ser extremamente reduzidos ou deixados para trás a medida que o líder assume a gestão sobre pessoas.

Porém, é aí que mora problema!

Não é incomum que durante toda a sua carreira o executivo tenha ganhado destaque pelo domínio técnico e profissional em sua área e quando se torna líder, tenha uma imensa dificuldade em deixar de lado o que mais sabe, mais gosta e se sente seguro para realizar. Tem dificuldade de delegar, é apegado a execução e não confia que o time fará o trabalho tão bem quanto ele. Sem contar que, infelizmente, em uma parte dos casos, esses executivos sempre trouxeram excelentes resultados para empresa, mas nunca foram preparados para liderar pessoas.

Logo ao assumirem a gestão, aparecem os dilemas: Como deixar de fazer o que se faz de melhor e que outros reconhecem tanto? Como confiar na equipe para executar o que até então era sua marca de trabalho? Como assim, tenho que encontrar tempo para falar com os membros da minha equipe, fazer avaliação, dar feedback, reunir-me com meus pares, meu chefe, clientes internos e externos, alinhar expectativas de todos e entregar minhas metas… Sem contar que, como líder, terá que ensinar, desenvolver, delegar e formar sucessores.

Deixar de ser um líder de si mesmo para ser líder de outros é extremamente desafiante. Por isso, ao traçar uma meta de carreira que tenha como foco liderar times de trabalho, tenha em mente o que terá que aprender e desaprender ao longo de sua vida profissional. A medida que for assumindo novas posições como na passagem de um líder de outros para líder de líderes, deverá haver uma importante mudança em termos de habilidades, novos horizontes em relação a alocação de tempo, além de novos valores profissionais.

A demanda por líderes excede muito a oferta, fato que se comprova quando vemos grandes corporações trazendo executivos de fora da organização. Isso sugere, infelizmente, que não há líderes preparados e poucos sendo desenvolvidos internamente. O que gera desmotivação e altos custos de contratação. Porém, este não deve ser um cenário de responsabilidade exclusiva da empresa. É importante que profissionais sejam protagonistas de suas carreiras, planejando e traçando um plano de desenvolvimento que os nutra de competências de liderança de forma que possam assumir os desafios futuros.

Além de competências como planejar, selecionar, reconhecer, gerir recursos, treinar, definir prioridades, etc. É importante ter consciência que na liderança não há espaço para individualismo e micro gerenciamento.

Para que a liderança aconteça, deve ocorrer uma mudança interior e de valores genuínos, que reflitam:

Paixão por desenvolver pessoas: Pode ser observado em líderes que dão feedback periódico para a equipe, traçam planos de desenvolvimento, preocupam-se em transmitir seu conhecimento, compartilham informações relevantes para realização do trabalho, desafiam e apoiam no planejamento das ações. Dá suporte para o desenvolvimento individual da equipe e, ele mesmo assume essa responsabilidade, direcionando as pessoas para o aumento de performance.

Obstinação por gerar um ambiente de confiançaOcorre quando o líder não dá brecha para boatos, possui assertividade na comunicação, encoraja a autonomia, trata erros não intencionais como oportunidades de aprendizagem e orienta o melhor caminho para que os equívocos não se repitam, desenvolve relacionamentos atenciosos, colaborativos e mostram consideração.

Preocupação com o sucesso da empresa e de seus liderados: Buscam constantemente avaliar as expectativas de seus liderados e as expectativas da empresa de forma que as pessoas de seu time estejam alinhadas com a estratégia da companhia, comunicando isso de forma clara, ao invés de só falar em valores vagos e abstratos.

Comunicação e clareza de propósito: Os líderes devem ser agentes de mudança e embaixadores da cultura organizacional. Comprova-se que essa atitude é genuína quando a equipe tem claro qual é a missão, a visão, quais são os valores da organização e qual é o seu impacto e contribuição para com os objetivos da organização.

Adoção de uma postura íntegra e visível: Por ser um líder na concepção da palavra, não apenas um chefe aceito por imposição hierárquica, ele faz primeiro e depois cobra. Ou seja, aplica em si mesmo os conceitos que prega em suas atitudes cotidianas.

Formação de sucessores: O verdadeiro líder, forma outros líderes. Ele sabe que seu crescimento profissional depende de deixar alguém preparado para assumir seu lugar. Logo, esse líder, é dono de sua carreira e busca aperfeiçoamento constante, não é inseguro, não tem medo que os talentos de sua equipe tomem seu lugar antes do tempo. Pelo contrário, identifica talentos potenciais e age como um mentor, transmitindo seu conhecimento e apoiando quanto a maturidade de seus liderados.

Deixa legadosMudam processos que contribuem com melhores resultados, inovam e incentivam a inovação, deixam sua marca pessoal por onde passam, desenvolvem e inspiram pessoas a seguirem seus passos, são lembrados positivamente para sempre!

E você, já é líder ou pensa em ser algum dia? Como você se avalia em relação aos comportamentos citados? Já viu que não é uma missão fácil, não é?

Se você quer ser um líder admirado e inspirador, que obtêm o engajamento e a performance de seu time, reflita, pondere, trace um plano e aja. Não importa que seja um passo de cada vez, grandes jornadas começam com pequenos passos!

 

Camila da Gama – Consultora de Desenvolvimento Humano e Organizacional | Life & Executive Coach